Investimento

Ascensão da estratégia core+: o novo campo de batalha para credores de infraestrutura em busca de retornos mais altos

Estratégia Core-Plus: A Nova Fronteira dos Empréstimos de Infraestrutura

Na última década, os ativos de infraestrutura, devido aos seus fluxos de caixa estáveis e baixa volatilidade, tornaram-se alocações centrais para investidores institucionais globais. No entanto, com a compressão dos rendimentos de ativos "core" tradicionais, como aeroportos e rodovias com pedágio, os fundos começaram a se inclinar para a estratégia "Core-Plus", que oferece retornos ajustados ao risco mais elevados.

Rafick Ramadan, chefe de financiamento de infraestrutura do banco de investimento Crédit Agricole CIB, destacou em uma entrevista recente que os credores estão seguindo o capital próprio para novos territórios com um entusiasmo sem precedentes. Essa mudança não é apenas cíclica, mas também estrutural – a transição energética global, a onda de digitalização e a reestruturação das cadeias de suprimentos estão criando uma nova categoria de ativos de infraestrutura.

Da Defesa Passiva ao Ataque Ativo

Tradicionalmente, os credores de infraestrutura preferem ativos em operação, com contratos de longo prazo e proteção regulatória, mantendo a exposição ao risco em níveis baixos. Mas a ascensão da estratégia Core-Plus quebrou essa convenção. Ramadan observa: "Os credores estão participando ativamente das fases iniciais dos projetos, aceitando riscos de construção, técnicos ou de mercado, em troca de spreads mais elevados."

Essa mudança é mais evidente em dois setores principais:

  • Transição Energética: Projetos de energia renovável (eólica offshore, armazenamento em grande escala), captura de carbono e hidrogênio exigem financiamento substancial de dívida, mas suas rotas tecnológicas e modelos de receita ainda não são maduros. Os credores gerenciam riscos por meio de designs estruturados (como saques em parcelas, cláusulas contingenciais), ao mesmo tempo que obtêm spreads de 100 a 200 pontos-base mais altos do que em projetos tradicionais de usinas a carvão.
  • Infraestrutura Digital: Data centers, redes de fibra óptica e estações base 5G possuem características de contratos de longo prazo semelhantes a infraestrutura, mas a rápida taxa de crescimento da demanda e a concentração de inquilinos trazem riscos únicos. A participação de produtos de empréstimo Core-Plus nesses ativos aumentou de menos de 10% em 2019 para mais de 35% em 2025.

Fluxo de Capital: Dos Mercados Desenvolvidos ao Sul Global

Outra dimensão da estratégia Core-Plus é a expansão geográfica. Ramadan revela que o Crédit Agricole CIB está monitorando de perto os projetos de PPP na Índia, Sudeste Asiático e Oriente Médio. "Os quadros legais e os riscos cambiais dessas regiões foram obstáculos, mas as garantias fornecidas pelos patrocinadores e a participação de bancos locais estão tornando as transações mais financiáveis."

Tomando o Plano Nacional de Infraestrutura (NIP) da Índia como exemplo, em 2024, a emissão de dívida de infraestrutura do país cresceu 45% em relação ao ano anterior, com projetos do tipo Core-Plus (como usinas híbridas de energia renovável) representando mais da metade. Da mesma forma, no financiamento de dívida do projeto NEOM da Arábia Saudita, os credores aceitaram uma estrutura de reembolso flexível atrelada ao progresso do desenvolvimento urbano, algo quase inimaginável cinco anos atrás.

Reequilíbrio da Precificação de Riscos## Reequilíbrio da Precificação de Risco

Empréstimos core+ não são isentos de custos. Ramadan alerta que o mercado deve estar atento ao "otimismo coletivo": algumas instituições de crédito, na disputa por mandatos, podem subestimar riscos técnicos ou comerciais. Ele recomenda a adoção de modelos de precificação de risco específicos para infraestrutura, em vez de copiar o quadro de títulos corporativos.

  • Diferenças-chave:
  • Ativos core: taxa de inadimplência inferior a 0,5%, taxa de recuperação acima de 85%;
  • Ativos core+: taxa de inadimplência de 1,5% a 2,5%, taxa de recuperação variando significativamente conforme o tipo de ativo (por exemplo, torres de telecomunicações têm melhor recuperação do que centros de dados).

"Insistimos em uma due diligence aprofundada sobre a tecnologia do projeto, os contratos de compra e o ambiente regulatório", afirma Ramadan. "Core+ não significa abandonar a disciplina, mas sim trocar retorno por uma estruturação mais cuidadosa."

Perspectivas: Era de Ouro da Dívida de Infraestrutura?

O Global Infrastructure Hub (GIH) prevê que o déficit de investimento em infraestrutura global atingirá US$ 15 trilhões até 2030. O amadurecimento da estratégia core+ pode mobilizar mais capital privado para áreas antes de difícil financiamento. No entanto, o verdadeiro desafio para os credores é manter a racionalidade na precificação: à medida que mais dinheiro busca projetos limitados, o estreitamento dos spreads será inevitável.

A abordagem do Crédit Agricole oferece uma referência: ao intervir cedo no desenvolvimento de projetos, estabelecer equipes de especialistas do setor e colaborar com instituições multilaterais para compartilhar riscos, é possível manter vantagem competitiva na onda do core+.

Como Ramadan afirma: "A dívida de infraestrutura está evoluindo de 'porto seguro' para 'motor de crescimento'. As instituições de crédito que dominarem primeiro as novas classes de ativos estarão no topo na próxima década."

Trilha de referência · globalinfrareview

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Source links

  1. https://www.infrastructureinvestor.com/credit-agricole-cib-on-the-growing-allure-of-core-plus/Primary

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